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domingo, 19 de julho de 2009

Primeira viagem humana à Lua completa 40 anos

A missão Apollo 8, que completou 40 anos esta semana, foi a primeira a levar homens à Lua. A viagem, que fazia parte do Projeto Apollo, teve duração de seis dias; do dia 21 ao dia 27 de Dezembro de 1968. Os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William A. Anders foram os primeiros homens a circum-navegar o satélite natural da Terra, abrindo caminho para o pouso histórico que aconteceria sete meses mais tarde, com a Apollo 11.
Embora os astronautas não tenham pousado no solo lunar, na noite de Natal de 1968, eles foram os primeiros astronautas a abandonar a órbita da Terra, enviando inéditas fotos do solo da Lua.
"Estávamos voando para Lua pela primeira vez", disse Jim Lovell, um dos três astronautas a bordo do histórico vôo."
Mas além da monumental conquista científica, a façanha foi um grande impulso emocional para os americanos no final de um ano particularmente ruim na história dos Estados Unidos. Em Janeiro daquele ano, na Guerra do Vietnã (1959-1975), ocorreu a Ofensiva do Tet que deixou muitos americanos chocados e com dúvidas de que uma vitória seria possível. Em abril, Martin Luther King foi assassinado, e as ruas de toda a nação foram tomadas por manifestações violentas. E durante o Verão, o país assistiu com horror como a polícia e manifestantes anti-guerra lutaram nas ruas de Chicago durante a Convenção Nacional Democrática.
O lançamento da Apollo 7, em outubro, foi uma grande vitória para a Nasa, colocando o programa espacial de volta aos trilhos após 22 meses de interrupção. A pausa ocorreu depois que um curto-circuito incendiou o módulo de comando da Apollo 1 durante um teste na plataforma de lançamento do Cabo Kennedy - hoje chamado Cabo Canaveral - na Flórida.
Chegar à Lua era "um grande passo psicológico", disse o astronauta da Apollo 7, Walter Cunningham.
"O público disse: 'Ei, os seres humanos estão indo para o outro corpo do sistema solar'", falou Cunningham à CNN em uma entrevista telefônica.
A missão Apollo 8 produziu uma das mais famosas fotos do programa espacial, mostrando um grande pedaço da lua na cor cinza em primeiro plano e uma grande mancha azul-e-branca da Terra ao fundo. Em uma histórica transmissão ao vivo naquela noite, a tripulação leu uma passagem do livro Gênesis da Bíblia que foi fechada com os desejos de bom Natal do Comandante Borman: "Nós terminamos com uma boa noite, boa sorte, um Feliz Natal e Deus abençoe a todos vocês, todos vocês na boa Terra".

O momento não poderia ter sido melhor, disse Jim Lovell por telefone. "O fato de estarmos ao redor da lua na véspera de Natal. Um roteirista não poderia ter feito um trabalho melhor".
O sucesso da missão dos Estados Unidos também deu um grande impulso no país na batalha contra a União Soviética para ver quem ficava na frente da corrida espacial.
Os Estados Unidos iriam desembarcar dois homens na lua no Verão de 1969 na Apolo 11, batendo os soviéticos e cumprindo a meta fixada pelo ex-presidente John F. Kennedy, no início da década.
Para o astronauta Edgar Mitchell, a sexta pessoa a andar na lua, a missão Apollo 8 significou um marco importante na história humana. Ele comparou o feito ao início da exploração do Mar Mediterrâneo pelos fenícios, ocorrida quase 3 mil anos antes.
Jim Lovell, astronauta da Apollo 8, também fez parte de outra missão histórica, a Apollo 13, ocorrida em Abril de 1970. Este vôo - comandado por Lovell - tornou-se famoso por um aidente: um sistema de oxigênio à bordo da embarcação explodiu e os três astronautas tiveram que usar improvisados sistemas para sobreviver no retorno à Terra. O seu triunfo sobre a adversidade foi imortalizado no filme "Apollo 13", em que Tom Hanks atuou no papel de Lovell.
"Duas vezes como uma dama de honra, nunca uma noiva", disse ele sorrindo, admitindo que durante anos carregou o ressentimento de que a missão foi um "fracasso".
No entanto, Lovell afirma que aprendeu perfeitamente o que significa o sucesso de uma missão: retornar com segurança à Terra.

Fonte:noticias.terra.com.br/ciencia

O universo luminoso dos fungos bioluminescentes

Novas espécies descobertas recentemente no Brasil refletem a necessidade de pesquisa e conservação do patrimônio pouco conhecido envolvendo a diversidade de fungos tropicais
A bioluminescência é um fenômeno natural bastante conhecido em alguns grupos de animais, como vaga-lumes, pirilampos, mosquitos, peixes e moluscos. Ela ocorre também em dezenas de espécies de fungos, embora poucas pessoas já tenham presenciado esse fenômeno. Até recentemente, o conhecimento sobre as espécies de fungos bioluminescentes estava concentrado, sobretudo, em regiões temperadas do hemisfério norte e na Australásia. Mas pesquisas recentes, na Mata Atlântica e na Amazônia, descobriram muitas espécies novas e novos registros de bioluminescência, evidenciando que pouco se conhece sobre a biodiversidade de fungos no Brasil.

Em 2008, Dennis Desjardin, da San Francisco University State e colaboradores publicaram uma revisão sobre fungos bioluminescentes, atualizando e expandindo o trabalho de E. C. Wassink, de 1978, ‘Luminescence in fungi’, que se referia principalmente a espécies asiáticas e europeias. Segundo a revisão, são conhecidas 64 espécies de fungos bioluminescentes no planeta. Nesses 30 anos, as novas descobertas de bioluminescência descritas por Desjardin e os demais autores são referentes ao Brasil, principalmente à região Sudeste. O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), em São Paulo, é o local onde se conhece o maior número de espécies simpátricas – espécies que ocorrem na mesma região – de fungos bioluminescentes de todo o mundo. No total, são sete espécies identifi cadas (Gerronema viridilucens, Mycena lucentipes, Mycena discobasis, Mycena singeri, Mycena luxaeterna, Mycena asterina, Mycena fera) e uma do gênero Mycena em fase de descrição. A história dessas descobertas começou com o biólogo João Ruffi n Leme de Godoy. Grande conhecedor da região do Vale do Ribeira, ele descobriu de que alguns desses fungos eram conhecidos por moradores do parque em uma enorme jabuticabeira e convidou o químico especialista em bioluminescência Cassius V. Stevani, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, para visitar o local. Tendo em vista o desafio de identificar os fungos, Stevani prontamente percebeu a necessidade de envolver pesquisadores especializados em fungos – micólogos.
Stevani entrou então em contato com Dennis Desjardin (San Francisco State University) e Marina Capelari (Instituto de Botânica de São Paulo), ambos micólogos experientes em taxonomia de fungos da ordem Agaricales, na qual estão classificados os cogumelos verdadeiros, como o champignon e o shiitake.

Em geral, as espécies de fungos bioluminescentes ocorrem em ambientes florestais úmidos, pois dependem da umidade para se alimentar, crescer e reproduzir. Entretanto, mesmo quem visita com frequência a floresta não consegue observar facilmente essa intrigante característica de alguns fungos, principalmente porque a intensidade da emissão é fraca e os cogumelos são efêmeros e sazonais. Uma boa estratégia para tentar localiza-los é visitar a floresta à noite, especialmente no período de lua nova, crescente ou minguante, quando a mata está mais escura. Ainda assim, como geralmente se caminha na mata com lanternas, é necessário fazer paradas sem iluminação por alguns minutos, observando o solo, até que os olhos se habituem à escuridão, e a luz dos fungos possa ser identificada. Todas as emissões de luz em fungos são esverdeadas, com comprimento de onda em torno de 530 nanometros. Mas existe uma variação de quais partes do fungo emitem luz entre as diferentes espécies. Basicamente, seu corpo é formado por dois tipos de estruturas: o micélio (corpo vegetativo), responsável pelo forrageio, obtenção de alimento e crescimento, e os corpos de frutifi cação (cogumelos) que asseguram a reprodução sexuada e a dispersão dos esporos. Muitas das espécies de fungos bioluminescentes emitem luz apenas do micélio, enquanto outras exibem a bioluminescência restrita ao cogumelo; raramente as duas estruturas emitem luz na mesma espécie.
Leia toda a pesquisa em Scientific American Brasil

sábado, 11 de julho de 2009

Nascimento do inimigo nº 1 dos criacionistas completa 200 anos

Há exatos 200 anos, no dia 12 de fevereiro de 1809, nascia em Shrewsbury, no Condado de Shropshire (Inglaterra), o homem que iria revolucionar o estudo da ciência: Charles Robert Darwin. O trabalho dele, com a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural, não só lançou as bases da biologia moderna mas também influenciou outras áreas do conhecimento, como a antropologia, psicologia, política e economia.
A teoria da evolução proposta por Darwin no livro "A Origem das Espécies" chega aos 150 anos praticamente imbatível na comunidade científica --recebidas com receio no início, as propostas do inglês ganharam força no século 20 com as descobertas sobre a transmissão hereditária de características dos seres, por meio dos genes.

Divulgação
Charles Darwin é considerado o pai da biologia moderna; ele usou a observação da natureza e análise dos seres para construir sua teoria
Darwin é considerado o pai da biologia moderna; ele usou a observação da natureza e análise dos seres para criar sua teoria, ainda existe uma forte oposição dos criacionistas, que defendem que a Terra foi criada por Deus em seis dias, mas há poucos argumentos científicos para essa ideia, presente no livro de Gênesis, na Bíblia.

"Darwin criou uma nova fronteira na ciência, ao determinar que as questões naturais precisam ser compreendidas por meio de processos da natureza. Isso faz uma diferença enorme, dissocia a ciência do pensamento religioso. Antes as perguntas terminavam em respostas sobrenaturais", afirma Maria Isabel Landim, professora do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo).

"Darwin criou uma nova fronteira na ciência, ao determinar que as questões naturais precisam ser compreendidas por meio de processos da natureza. Isso faz uma diferença enorme, dissocia a ciência do pensamento religioso. Antes as perguntas terminavam em respostas sobrenaturais", afirma Maria Isabel Landim, professora do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo).

"Darwin criou uma nova fronteira na ciência, ao determinar que as questões naturais precisam ser compreendidas por meio de processos da natureza. Isso faz uma diferença enorme, dissocia a ciência do pensamento religioso. Antes as perguntas terminavam em respostas sobrenaturais", afirma Maria Isabel Landim, professora do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo).
Adaptar para sobreviver
Venceu a proposta segundo a qual todos os organismos da Terra, de uma bactéria ao homem, descendem de um antepassado comum --a relação mais usada é feita entre humanos e macacos, que também tiveram a mesma origem, mas vale para qualquer organismo, segundo a teoria de Darwin.
Ele identificou evidências desse parentesco, por exemplo, por meio das semelhanças anatômicas existentes entre diversas espécies. Um exemplo disso são os ossos de membros anteriores de animais como baleias, morcegos, chimpanzés e o homem. Apesar de terem formas diferentes e serem usados para funções diferentes, como pegar objetos, subir em árvores ou sustentar nadadeiras, esses ossos apresentam fortes semelhanças de estrutura, o que indica uma ascendência em comum.
A existência de evolução entre as espécies já havia sido proposta antes, mas o "pulo do gato" de Darwin foi a formulação da teoria da seleção natural. Segundo essa linha, as variações entre os indivíduos de uma população surgem ao acaso: mais tarde, os estudos de genética fortaleceram essa ideia, com a descoberta da existência de recombinações e mutações gênicas, que se disseminam por meio da reprodução. Darwin identificou evidências de parentesco entre os seres por meio de semelhanças anatômicas existentes entre as espécies
Darwin identificou evidências de parentesco entre os seres usando as semelhanças anatômicas entre espécies O pesquisador postulou, então, que os indivíduos com características que favoreçam sua existência em cada ambiente tendem a deixar mais descendentes, o que ajuda em sua perpetuação. Os menos preparados tendem a diminuir em número e, possivelmente, desaparecer.
Coleta
Um dos diferenciais do trabalho de Darwin foi seu intenso trabalho de campo, com observações e coleta de amostras de animais e plantas. Para isso, foi determinante a viagem que ele fez ainda jovem, aos 22 anos, a bordo do navio HMS Beagle.
Entre 1831 e 1836, Darwin pesquisou regiões da África, América do Sul e Oceania, percebendo as diferenças existentes nas características de fauna, flora e geologia de cada uma. As análises dessas amostras serviram de base para o desenvolvimento dos conceitos de evolução e seleção natural. Darwin classificava a viagem como "o evento mais importante de sua vida".Entretanto, se passaram mais de 20 anos até que "Origem das Espécies" fosse publicado, em 1859. Os cerca de 1.250 exemplares da obra se esgotaram no dia do lançamento, e as ideias do pesquisador geraram forte polêmica na época, principalmente na Igreja Anglicana --a Igreja Católica afirma que nunca condenou Darwin e diz que suas obras não foram incluídas em seu Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos).
Origem no macaco
No ano seguinte, durante um debate na Universidade Oxford, o bispo Samuel Wilberforce perguntou ao biólogo T. H. Huxley se ele era descendente de macacos por parte dos avós paternos ou maternos. Huxley foi um dos grandes defensores da teoria e se denominava o "bulldog" de Darwin.O próprio pesquisador nunca se envolveu muito na polêmica: preferiu que seus apoiadores o representassem na "briga". "Ele era uma pessoa muito reservada, não era polemista e recusou vários convites para debater suas ideias", afirma Nélio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP.
De acordo com Bizzo, Darwin "prezava pelas críticas" e as respondia de maneira muito "polida e respeitosa". Ele chegou a alterar trechos de "Origem das Espécies", em edições posteriores, em razão de apontamentos feitos por outros cientistas.
Para Maria Isabel Landim, do museu de zoologia, a teoria da evolução proposta por Darwin chega aos 150 anos em clima de unanimidade na comunidade científica. "O que existe são outras contribuições para entender o processo evolutivo, e não uma contestação clara a ele. A grande batalha é a questão do criacionismo versus evolucionismo. Essa questão é incontestável."
Fonte:Karime Xavier/Folha

Geólogo data nascimento do Amazonas

O rio Amazonas acaba de ganhar uma certidão de nascimento. Segundo ela, o curso d'água mais volumoso da Terra nasceu há 11,8 milhões de anos. A adolescência e a fase adulta do rio-mar também estão descritas no estudo, publicado no periódico "Geology". Ele é assinado por Jorge Figueiredo, geólogo da Petrobras que atualmente cursa doutorado na Universidade de Liverpool (Reino Unido) e colaboradores.
Toda a história de vida do Amazonas está baseada em análises paleontológicas (fósseis de animais e pólen) e de proveniência sedimentar, feitas em amostras coletadas em poços perfurados no oceano Atlântico, na foz do rio.
De acordo com Figueiredo, existia um pequeno rio antes de 11,8 milhões de anos, no período chamado pelos geólogos de Mioceno Médio (Na África, nessa época, o gênero humano nem existia). Mas ele drenava apenas a parte oriental da atual região amazônica.
Do lado ocidental, onde hoje estão o Peru, a Colômbia e os Estados do Amazonas e do Acre, havia um tipo de pantanal, uma grande área inundada.
"Separando essas duas áreas existia uma região um pouco mais elevada que as grandes planícies amazônicas, a oeste de Manaus", diz Figueiredo. A situação, entretanto, começaria a mudar há 11,8 milhões de anos, diz o geólogo. De um lado, por causa do aumento do manto de gelo na Antártida, o mar começou a descer -uma queda de cerca de 120 metros em média em relação ao nível atual. De outro, a poderosa cordilheira dos Andes exibia quase toda sua força, elevando-se a alturas próximas das atuais.
Esses dois processos, que terminaram há aproximadamente 11,3 milhões de anos, fizeram com que os lagos do lado oeste fossem conectados ao riozinho do lado leste. O Amazonas, agora transcontinental, estava pronto para crescer e aparecer.

Na infância do rio, entre 11,8 milhões e 6,8 milhões de anos, ainda havia um número muito grande de lagos ao longo do Amazonas, cujo curso era sinuoso, como o de vários rios pequenos da região hoje. Os sedimentos carregados pelas águas do rio acabavam sendo depositados no continente.Na sua adolescência, como os Andes subiram ainda mais, havia mais sedimento para ser transportado. E eles começaram a chegar em maior quantidade ao oceano, obliterando os lagos no caminho.Há 2,4 milhões de anos o Amazonas entrou na fase adulta. O riacho cheio de meandros de outrora tornou-se o rio mais caudaloso do mundo.Cálculos do projeto Piatam (Petrobras) mostram que o rio lança todos os anos no Atlântico 6,3 trilhões de metros cúbicos de água (16% de toda a descarga mundial de água doce no mar) e 1,2 bilhão de toneladas de sedimento. É tanto entulho que a foz do Amazonas pode até estar afundando poucos milímetros por ano."Era sabido que a evolução do Amazonas dependeu do tectonismo [elevação] dos Andes. O artigo científico, entretanto, apresenta uma idade mais fechada [para o nascimento do rio]", diz Michel Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico da USP e especialista em oceanografia geológica. Segundo Figueiredo, os dados atuais estão em desacordo com uma hipótese levantada por outro grupo de pesquisa --a de que o rio Amazonas, há 5 milhões de anos, corria ao contrário, do Atlântico para aquilo que começava a ser os Andes.

Fonte:uol.com.br/folha/ciencia

Espécies que começaram a colonização da terra firme travaram corrida evolutiva

A trajetória evolutiva que permitiu que os vertebrados deixassem de viver na água e ocupassem a Terra, há 365 milhões de anos, não ocorreu em uma única linha, mas com vários tipos diferentes de bichos evoluindo paralelamente no ambiente terrestre, afirma um novo estudo. Produzindo um "censo" das espécies pioneiras na colonização da terra, um grupo de cientistas mostrou agora que o mundo em que elas viveram tinha um biodiversidade bem maior do que se imaginava. O novo trabalho foi liderado por Jennifer Clack, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), que estudou fósseis do período de interesse: entre 360 milhões e 300 milhões de anos atrás. Reconstituição do Acanthostega, um dos primeiros a sair do mar; foram estudados fósseis de 360 milhões e 300 milhões de anos

No novo estudo, publicado na revista científica "Journal of Anatomy", Clack e seus colaboradores comparam fósseis de 35 espécies de tetrápodes. Foram esses, segundo os cientistas, os primeiros animais que conseguiram se arrastar sobre quatro pés. O trabalho mostrou que eles formavam uma fauna diversa, de empolgar qualquer zoólogo.
Alguns animais lembravam os atuais crocodilos, outros pequenas lagartixas, algumas cobras. Ocupavam todo tipo de nicho ecológico e de habitat. Os menores tinham dez centímetros de comprimento. Os maiores, cinco metros. Segundo Clack, porém, isso não quer dizer que vários animais tenham saído ao mesmo tempo da água para ocupar o ambiente terrestre, de maneira independente. "A hipótese é que todos os tetrápodes têm um único ancestral [o primeiro a pisar fora d"água]". As diferenças surgiram já em terra, portanto, já que os animais estudados não eram nem peixes nem anfíbios, e sim algo intermediário. Os mamíferos ainda estavam longe de surgir. Eles apareceram 200 milhões de anos atrás, mais ou menos na metade do caminho entre a conquista do ambiente terrestre e a era atual.

Fonte: "Journal of Anatomy"

Crocodilo-tatu pré-histórico viveu em SP

Um réptil pré-histórico da família dos crocodilos --mas com uma inusitada carapaça, similar à de um tatu-- habitou o Brasil há 90 milhões de anos. Os descobridores da espécie revelaram seu trabalho ontem, apresentando uma reconstituição do animal no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O animal foi batizado com o nome científico Armadillosuchus arrudai. O primeiro nome, que designa o gênero do bicho, significa crocodilo-tatu. O segundo, que se refere à espécie, é uma homenagem a João Tadeu Arruda, 59, professor de ciências que faz pesquisas por conta própria e achou restos do animal em General Salgado, no interior paulista, em 2005. Ilustração mostra o Armadillosuchus, no ambiente em que vivia em SP, Minas, Paraná e Mato Grosso do Sul
A caracterização científica do animal foi feita pelo geólogo Ismar de Souza Carvalho e pelo paleontólogo Thiago Marinho, ambos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O réptil, dizem, tinha dois metros de comprimento, pesava 120 kg, e guardava hábitos bem diferentes dos crocodilos atuais. "Crocodilos sempre foram associados a lugares úmidos, mas essa espécie vivia em um ambiente árido", diz Carvalho. A carapaça servia para proteger o animal tanto das variações climáticas como dos ataques de predadores. E os estudos indicam que ele sabia mesmo escavar, como um tatu, e comia raízes de árvores e outros vegetais. O Armadillosuchus viveu no período Cretáceo, quando a temperatura diurna chegava a 45ºC.
Segundo Carvalho, é provável que a extinção do animal esteja ligada a uma mudança climática que resfriou seu habitat. Apesar de ser similar aos crocodilos, não existem descendentes vivos do animal hoje. Arruda diz que achou o fóssil por dica de um aluno que lhe levara um osso. "Pedi para ele me mostrar onde tinha achado, e encontramos vários outros", diz. "Notei a diferença [em relação a fósseis mais comuns] e pensei: "esse é horroroso".

Fonte: "Journal of South American Earth Sciences".

sábado, 27 de junho de 2009

Ovelha dá à luz a cordeiros gêmeos de cores diferentes na Austrália

Uma ovelha deu à luz cordeiros gêmeos de cores diferentes, um com pelagem branca e o outro com pelagem negra, na Austrália. Segundo o professor da faculdade de veterinária da Universidade de Sydney Francis Sabbe, o fato é extremamente raro."Foi a primeira vez que vi algo assim", disse Sabbe à BBC Brasil
A dupla de cordeiros, apelidados pelos seus donos de "sal e pimenta", surpreendeu os fazendeiros Jan e Brian Cowan. "Sabíamos que seriam gêmeos, mas não que era possível virem com essa combinação", disse Jan à BBC Brasil.

"Sal e pimenta" nasceram de uma ovelha branca da raça Border Leicester e de um carneiro de face e peito negros da raça Suffolk em uma fazenda em Manning Valley, no Estado de Nova Gales do Sul.

Segundo o veterinário dos cordeirinhos, Bec Muir, mesmo sendo um evento raro, o carneiro de pêlo negro poderia daqui a uns meses mudar de cor. No entanto ele explicou que, como o animal tem o focinho e as patas também negros, deve permanecer na cor que nasceu. Os fazendeiros disseram que os animais são inseparáveis.

"Nós os mantemos dentro de um redil próximo a casa para protegê-los das raposas", disse Jan, que disse que o futuro dos cordeiros será ajudar na fábrica de queijos que começou a construir. "Quanto mais filhotes, mais leite."
Fonte:BBC Brasil

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Com lançamento, Nasa dá 1º passo para retorno à Lua

"O LRO é uma nave enormemente avançada. Seus instrumentos funcionarão de maneira coordenada para nos enviar informação sobre zonas que esperávamos ansiosamente receber há muitos anos", indicou Craig Tolley, diretor do projeto desse satélite no Centro de Voos Espaciais da Nasa em Goddard, Maryland. EFE
Washington, 18 jun (EFE).- A Nasa (agência espacial americana) deu nesta quinta-feira o primeiro passo para o retorno à Lua com o lançamento de um foguete com duas cápsulas, que terão missão de explorar a existência de elementos que ajudem a manter uma presença prolongada do homem no satélite natural da Terra.
A partida do foguete "Atlas 5" ocorreu às 18h32 (Brasília), na terceira oportunidade prevista para a operação depois que foram canceladas as duas primeiras devido à ameaça de tempestades em Cabo Canaveral, na Flórida.
"Decolagem. Este é o primeiro passo dos EUA em seu retorno à Lua", disse o controle da missão.
"Todos os sistemas estão funcionando perfeitamente", completou o controle minutos depois da partida e quando o foguete abandonava a força de gravidade da Terra.
A partida do foguete também ocorreu no momento em que a Nasa inicia os preparativos para lembrar o 40º aniversário de 20 de julho de 1969, dia em que o astronauta Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a chegar à Lua.
O foguete instalará em órbita da Lua as cápsulas Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO, em inglês) e o Satélite Sensor e de Observação de Crateras Lunares (LCROSS).
A principal tarefa do LRO será buscar possíveis pontos de aterrissagem para as naves tripuladas que partirão à Lua a partir das próximas décadas.
Já o LCROSS dirigirá o segmento superior do foguete "Atlas" em uma trajetória de impacto sobre a superfície do satélite em uma zona próxima a um de seus pólos.
O objetivo é causar uma esteira exploratória que será analisada com os espectrógrafos da cápsula para determinar a possível presença de água nos pólos lunares.
Também determinará a existência de elementos como hidrogênio e oxigênio que poderiam apoiar a presença de futuras missões tripuladas ao satélite natural da Terra.
Essa esteira será examinada pelo LCROSS e os telescópios em Terra e até pelo observatório espacial "Hubble".
No contraste com a luz solar, o teste determinará a presença de gelo nas zonas polares e aumentará o conhecimento sobre a estrutura mineral das crateras mais remotas, onde a luz do Sol nunca chegou.
"Estamos ansiosos para fazer com que grande parte do público participe da espetacular chegada do LCROSS à Lua na busca por água", comentou Dan Andrews, diretor do projeto no Centro Ames de Pesquisas da Nasa, em Moffett Field (Califórnia). "Essas duas missões proporcionarão valiosa informação sobre a Lua, nosso vizinho mais próximo", indicou Doug Cooke, administrador do setor de missões de prospecção da Nasa, ao ficar conhecida a missão conjunta no início deste ano.
Segundo ele, as imagens que serão transmitidas pelos satélites terão uma resolução tão boa que permitirá distinguir um metro sobre a superfície solar, e seus instrumentos Darão informação sobre os usos potenciais que poderia ter a Lua.
De acordo com a Nasa, os instrumentos do LRO ajudarão a confeccionar um mapa tridimensional e de alta resolução da superfície lunar, além de um exame do espectro ultravioleta do satélite.
Além disso, explicarão a forma como o ambiente de radiação lunar poderia afetar os seres humanos e medir o nível de absorção com um material plástico similar à pele humana. O LRO também explorará as crateras mais profundas, olhará sob a superfície na busca de gelo e identificará de maneira permanente zonas tanto no lado iluminado como no obscuro da Lua.
Fonte:http://br.noticias.yahoo.com/

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Estudo mostra como devaneios podem ajudar a resolver problemas


Para quem se sente culpado pelo tempo gasto em devaneios, essa notícia talvez traga alívio. Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá, descobriram que enquanto “sonhamos acordados”, diversas áreas do cérebro estão em franca atividade, inclusive aquelas ligadas à solução de problemas complexos, que antes se supunha “dormentes” durante esses episódios.
“O devaneio sempre esteve associado a coisas negativas, como preguiça e falta de atenção”, diz o psicólogo Kalina Christoff, autor do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Mas agora percebemos que o cérebro está muito ativo nesses momentos, muito mais do que quando estamos concentrados em tarefas rotineiras.”
O cérebro dos voluntários foi observado por meio de ressonância magnética funcional. Os pesquisadores alternaram tarefas que exigiam atenção com momentos em que os participantes podiam pensar no que quisessem. Segundo os autores, no dia-a-dia, os devaneios podem ocupar até um terço do período em que permanecemos acordados.

Durante os devaneios, observou-se intensa atividade no córtex cingulado anterior e da junção tempoparietal, que fazem parte do que os cientistas chamam de “rede basal”, por estar associada à atividade mental rotineira. O que os surpreendeu, entretanto, foi a ativação da chamada “rede executiva” que inclui o córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior, tipicamente associados a esforços intelectuais intensos. “Não imaginávamos que essas vias pudessem operar em paralelo”, disse Christoff. Segundo ele, estes resultados apóiam aquela noção intuitiva que tomos temos, de que quando defrontados com um grande problema, melhor é tentar se distrair um pouco, “refrescar a cuca”. Pode ser bem mais produtivo
Fonte: © Claudelle Girard/ iStockphoto

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nasa descobre planeta fora do Sistema Solar seis vezes maior que Júpiter

Concepção artística de planeta seis vezes maior que Júpiter encontrado fora do nosso Sistema Solar. Segundo anúncio do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa, o VB 10b está a cerca de 20 anos-luz da Terra e orbita uma das menores estrelas já encontradas

O gigante tem massa seis vezes maior que a de Júpiter e orbita a menor estrela já detectada, segundo os astrônomos
O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa, anunciou ter conseguido detectar um planeta fora do nosso Sistema Solar com massa seis vezes maior que a de Júpiter, na órbita de uma das menores estrelas já encontradas.
Nasa/JPL
O gigante tem massa seis vezes maior que a de Júpiter e orbita a menor estrela já detectada, segundo os astrônomos
VEJA IMAGENS DO MÊS
O astrônomos fizeram a descoberta graças a uma ferramenta de caça a planetas chamada astrometria, uma técnica de medição desenvolvida há cerca de 50 anos.
O recém-descoberto exoplaneta, chamado VB 10b, está a cerca de 20 anos-luz da Terra, na constelação de Áquila.
Por estar distante de sua estrela, a VB 10, que tem massa 12 vezes menor que a do nosso Sol, os astrônomos afirmam que se trata de um planeta gelado como Júpiter.
Fonte:UOL Ciência e Saúde

terça-feira, 26 de maio de 2009

Estrelas 'feitas' pelo homem podem desvendar segredos cósmicos



Quando o centro de laser mais poderoso do mundo entrar em ação no final do mês uma pequena estrela nascerá na Terra.
O Centro Nacional de Ignição (NIF, na sigla em inglês), no Estado americano da Califórnia, terá como um de seus objetivos estudar ciências físicas e planetárias e examinar, no conforto do laboratório, fenômenos distantes, como a formação de planetas ou as violentas explosões que dão origem a estrelas, chamadas de supernovas.
Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL)
O objetivo é examinar fenômenos distantes no conforto do laboratório
Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL)
Os 192 lasers do NIF criarão mais energia do que qualquer outra instalação
Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL)
A intensa energia cria temperaturas de 100 milhões de graus
"Para entender onde estamos no universo e do que somos feitos, é preciso entender a explosão das estrelas", disse o professor Paul Drake, da Universidade de Michigan. Ele é um entre vários pesquisadores esperando para testar suas teorias usando o centro que demonstrará ainda as possibilidades da fusão nuclear, a reação que está no centro do sol e que é uma potencial fonte de energia abundante e limpa para o planeta. Mas, enquanto muitas atenções estarão voltadas para o objetivo de satisfazer a demanda da humanidade por energia, alguns cientistas esperam responder outras questões fundamentais.
O objetivo é examinar fenômenos distantes no conforto do laboratório
Onda de choque
Outros centros, como o laser Omega na Universidade de Rochester, em Nova York, já são usados para este tipo de teste. Mas os 192 lasers do NIF criarão mais energia do que qualquer outra instalação, dando aos cientistas uma janela sem precedentes para fenômenos cósmicos distantes. Durante os experimentos de fusão, os raios focam brevemente 500 trilhões de watts - mais do que o pico de energia gerado nos Estados Unidos inteiros - em uma cápsula contendo combustível de hidrogênio.
A intensa energia cria temperaturas de 100 milhões de graus e pressões bilhões de vezes maiores do que a pressão atmosférica terrestre, forçando o núcleo do hidrogênio a fundir e liberando uma quantidade colossal de energia.
Nos experimentos astrofísicos, no entanto, a cápsula de combustível seria substituída por uma meia esfera de elementos arranjados em camadas, criada para imitar o centro de uma estrela. "Você escolhe o material e as estruturas entre ele para ser relevante ao que acontece quando uma estrela explode", disse o professor Drake. "O laser atingiria o centro - que corresponde ao centro da estrela - criando uma onda tremenda de choque que explodiria o material." O experimento deverá permitir que os pesquisadores investiguem o interior de estrelas e supernovas em detalhes sem precedentes e entendam melhor como surgem esses objetos. Chuva de diamantes Mas não são apenas os astrofísicos que estão animados com o centro. Cientistas planetários também querem acesso ao equipamento para testar suas teorias sobre a formação dos planetas e de sistemas solares. "A arquitetura do Sistema Solar é muito provavelmente controlada em certa medida pela existência de planetas como Júpiter", disse o professor David Stevenson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
A gravidade do planeta gigante controlou a posição de vastas nuvens de poeira e detritos em nossa vizinhança cósmica e, por isso, também fez com que blocos de construção estivesses disponíveis para a formação dos outros planetas, incluindo a Terra. E, como outros 300 gigantes gasosos com massa similar ou maior do que Júpiter foram encontrados recentemente, o entendimento de como e quando esses objetos são formados também pode ajudar na compreensão da evolução de outros sistemas planetários. Para isso, cientistas estão contando com o NIF para tentar entender mais sobre as extremas condições de temperatura e pressão no coração dos planetas, e o efeito que essas variáveis têm na matéria. Segundo o professor Ray Jeanloz, da Universidade da Califórnia, os conceitos básicos de química são virados de cabeça para baixo com essas pressões esmagadoras. "Hidrocarbonetos iriam se decompor em uma mistura de hidrogênio e carbono", explicou. "O resultado seriam diamantes chovendo da atmosfera." "Esse é o tipo de processo que você nunca adivinharia se não pudesse estudar os próprios materiais."

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cientistas revelam fóssil que pode ser de ancestral do homem

Cientistas revelaram em Nova York nesta terça-feira o fóssil de uma criatura de 47 milhões de anos que pode ser um elo perdido na evolução dos primatas superiores - macacos, gorilas e os seres humanos. O fóssil, batizado de Ida, está em estado tão bom de conservação que é possível ver sua pele e traços de sua última refeição.

Os restos do animal, que se assemelha a um lêmure (tipo de animal parecido com um macaco que vive na ilha africana de Madagascar) foram apresentados no Museu Americano de História Natural pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.
Eles foram descobertos na década de 1980 na Alemanha e pertenciam a uma coleção particular.

Importância e críticas

A pesquisa sobre sua importância foi liderada pelo cientista Jorn Hurum, do Museu de História Natural de Oslo, Noruega.
Cientistas reconstruíram o fóssil usando computação gráfica.
Hurum diz que Ida representa "a coisa mais próxima que temos de um ancestral" e descreveu a descoberta como "um sonho que se tornou realidade".
Mas parte da comunidade científica se mostra cética em relação à descoberta.
Um dos principais editores da revista Nature, Henry Gee, disse que o termo "elo perdido" pode induzir ao erro e que o fóssil não deve figurar entre as grandes descobertas recentes, como os dinossauros com penas. Os cientistas que já examinaram o fóssil concluíram que este se trata de uma espécie nova, batizada Darwinius masillae.Um dos pesquisadores que analisou Ida, Jenz Franzen, o fóssil tem traços que guardam "grande semelhança conosco", como unhas em vez de garras e o polegar em uma posição que permite agarrar coisas com a mão, como o homem e outros primatas.
Ainda assim, segundo ele, o fóssil não parece ser um ancestral direto do homem, mas sim estaria "mais para uma tia do que uma avó".
Fonte:/cienciaesaude.uol.com.br