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sábado, 15 de agosto de 2009

Aprenda a escolher o sapato ideal para você e saiba o que vai pegar no verão


Hora H: Sapatos existem desde a Idade da Pedra; ainda não sabe escolher? Aprenda


Aprenda a escolher o sapato ideal para você e saiba o que vai pegar no verão
Diferentemente dos sapatos femininos, sapatos para homens não parecem ser um tema que desperte curiosidade, afinal, homens não são loucos por sapatos como as mulheres, certo? Errado. Pelo menos, não foi isso o que mostrou nossa enquete (de 31/07), em que esse tema foi escolhido pela maioria (40%) como assunto para esta coluna.

Calçados existem desde os primórdios da humanidade, mas, na hora de escolher, sempre provocam dúvida. Qual o melhor modelo? O que é mais formal? O que é mais esportivo? O dedo do pé deve bater na ponta? Será que vai "lacear" com o tempo?

Para ajudar na hora de escolher, comprar e conservar esse acessório literalmente básico, Hora H apresenta abaixo um guia de modelos e uma conversa com três experts no assunto, criadores de grandes marcas de calçados masculinos nacionais, que falam sobre suas apostas para a próxima estação.

Hora H dá uma dica. Fique de olho nos mocassins e docksides (como o modelo que aparece acima), que estão de volta com força total e prometem ser o sapato do verão. Mas, para fazer uma boa escolha da próxima vez, só mesmo lendo a coluna...

Em tempo: Os tênis ficaram de fora desta vez porque merecem uma coluna especial só sobre eles. E por falar nisso, não deixe de votar aqui no tema da Hora H de 4 de setembro.
Sapato de couro de 800 a 400 a.C. no Museu Hallstatt, na Áustria

Desde a Idade da Pedra que o homem usa algum tipo de proteção para os pés. Dez mil anos antes de Cristo, os homens pré-históricos deixaram testemunho desse hábito em pinturas nas paredes de cavernas no sul da França e na Espanha. Alguns pesquisadores afirmam que os primeiros sapatos, já com um formato parecido ao que têm hoje, foram manufaturados há mais de 3.200 anos, na Mesopotâmia, região em que atualmente fica o Iraque, feitos de couro macio para que os antigos pudessem percorrer terrenos montanhosos.

Esta é uma herança que continua a ser uma das principais características do calçado: proteção e conforto. A questão estética foi incorporada a partir do século 18, quando a moda se estabeleceu de maneira sistemática e organizada como fenômeno cultural, social e de costume, e quando se estabeleceu mais definitiva a diferença entre o calçado para o trabalho e para o passeio.

Com a Revolução Industrial, vieram as primeiras máquinas para produzir calçados em larga escala, mas foi apenas no século 20 que os sapatos ganharam novos materiais, apesar de o couro ainda se manter como o mais nobre.

PEQUENO GLOSSÁRIO DOS SAPATOS
Cabedal: Parte superior do calçado destinada a cobrir e proteger a parte de cima do pé. Compreende praticamente toda a extensão do sapato, menos a sola. Divide-se em gáspea (parte da frente) e traseiro (parte lateral e de trás do calçado). O cabedal é para o calçado mais ou menos o que a carroceria é para o carro.

Contraforte: Reforço colocado entre o cabedal traseiro e o forro, na região do calcanhar. Se você apalpar com força seu sapato, por trás, vai sentir um semicírculo mais firme que cobre seu calcanhar. Esse é o contraforte.

Couraça: Reforço colocado no bico do sapato e fica escondido sob o material externo do cabedal (couro, lona etc) e o forro.

Gáspea: Parte frontal do cabedal do sapato. Compreende a porção que cobre desde os dedos até o peito do pé (em alguns modelos, é uma peça só com a parte chamada "língua" ou "lingueta").

Solado: Conjunto de peças que formam a parte inferior do calçado e que se interpõem entre o pé e o solo.

Palmilha de montagem: Lâmina feita geralmente à base de celulose ou couro, do mesmo tamanho da planta da forma. Ela é fixada por cima da sola, e sobre ela é montado o cabedal do sapato.

Alma: Peça delgada posicionada longitudinalmente ao centro da palmilha, que serve para dar firmeza no caminhar e sustentar a planta do pé. Pode ser de aço, madeira, arame ou mesmo de plástico.

Palmilha de acabamento: Material (couro, tecido ou plástico) que recobre o sapato internamente, assentado sobre a palmilha de montagem e a alma.

Sola: Parte externa inferior do solado, que está em contato direto com o chão. Dela depende em grande parte a qualidade e performance do calçado.

Salto: Suporte fixado à sola na região do calcanhar e destinado a dar equilíbrio ao calçado.

Entressola: Camada intermediária colocada entre a palmilha de montagem e a sola.

Vira: Tira colada ou costurada em torno do sapato, sobre a beirada da sola (em geral, do mesmo material), como acabamento.

Veja abaixo um diagrama com indicação de partes do sapato:


01- Contraforte
02- Palmilha de Acabamento
03- Forro
04- Lingueta
05- Cadarço
06- Ilhóses
07- Gáspea
08- Biqueira
09- Sola
10- Vira
11- Lateral
12- Salto
13- Traseiro

SISTEMA DE NUMERAÇÃO
A idéia de padronizar a numeração dos calçados veio do rei Eduardo 1º, da Inglaterra, o mesmo que em 1305 decretou que se considerasse como uma polegada a medida de três grãos secos de cevada alinhados.

Os sapateiros passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseando-se nos tais grãos de cevada. Um calçado que medisse, por exemplo, 37 grãos de cevada era conhecido como tamanho 37.

Hoje há diversos sistemas de numeração de sapatos, que podem levar em conta comprimento e mesmo a largura do sapato. Os mais usados, no entanto, são os que seguem abaixo:

Sistema europeu: Usado na França, Itália, Alemanha e na maioria dos países da Europa continental. Para fazer a correspondência com o brasileiro, devem ser somados duas unidades. Um tamanho 40 brasileiro, por exemplo, corresponde a um 42 europeu.

Sistema inglês: É o sistema ocidental mais antigo e se baseia na polegada (2,54 cm) e separado para crianças e adultos. A numeração infantil vai de 0 a 13 e a de adultos de 1 a 13½. Não há um cálculo simples para a conversão de tamanhos para o sistema brasileiro. Um 40 nacional corresponde ao 8 na Grã-Bretanha.

Sistema americano: É um sistema próximo ao inglês. Com relação ao último, basta somar uma unidade para fazer a correspondência. Assim, um 40 brasileiro, que é 8 na Inglaterra, é 9 nos Estados Unidos.

Sistema brasileiro: No Brasil, utiliza-se uma variação do sistema europeu, ambos baseados em cálculos sobre o sistema métrico.

MODELOS CLÁSSICOS DE SAPATOS

Os sapatos masculinos evoluem de forma mais lenta que os femininos. Alguns dos modelos que usamos hoje surgiram no século 17 e sofreram poucas modificações. Isso não quer dizer que eles pararam no tempo. Os corpos do sapato se alongam, as biqueiras vão ganhando formas ora mais arredondados, ora mais quadradas. A tecnologia auxilia para se tornarem mais leves e confortáveis. Ainda assim, a base do design ainda segue as linhas clássicas.
Sapato oxford da marca Cospirato

Principais tipos de calçados masculinos:
O primeiro sapato amarrado com cadarços foi introduzido na Inglaterra em 1640, e logo se tornou popular entre os estudantes da Universidade de Oxford. A partir daí, o estilo e o nome se espalharam. Os sapatos Oxford são caracterizados por serem um modelo fechado em que as perfurações para os cadarços são feitos diretamente no corpo do sapato, e não em abas costuradas sobre a gáspea (porção dianteira do calçado). Atenção, se seu pé for muito alto, na hora de amarrar o sapato, as duas carreiras de orifícios não ficarão paralelas. Isso é sinal de que o sapato não é ideal para você. Se, pelo contrário, seu pé for relativamente baixo, as duas carreiras de furinhos tendem a se sobrepor uma sobre a outra.
Existem muitas variações de modelos deste tipo de sapato, mas seja qual for, eles são os mais formais e ideais para ternos e ocasiões como casamentos, por exemplo.
DERBY
sapato derby da marca Mr. Cat
É parecido em formato com o Oxford, e sua principal diferença é que a parte dos furos para o cadarço está situada em abas laterais costuradas sobre o corpo do sapato. Isto faz com que ele se adapte com mais facilidade a todas alturas do peito do pé. Ele surgiu no século 19 e se tornou muito popular.
Este é menos formal dos sapatos clássicos, é muito versátil e funciona com costume, blazer e calça sem gravata, e também com calças de alfaitaria e camisa. Dependendo do modelo, pode ser usado com jeans.
MONK
Estilo de sapato derivado dos sapatos dos monges (o nome inglês quer dizer "monge" em português) usados desde o século 15, mas sua versão contemporânea surgiu em 1930. É menos formal do que um Oxford e mais do que um Derby. Fácil de reconhecer pela falta de cadarços, que são substituídos por uma fivela metálica colocada na lateral, junto ao peito do pé.
Bom para ternos e combinações como calça de alfaiataria e camisa social.
BROGUE

Brogue não um tipo de sapato, mas é importante saber do que se trata, pois diversos modelos podem levar esse nome como apêndice, que se refere ao perfurado decorativo que alguns sapatos apresentam. Em inglês, dependendo da extensão dos motivos perfurados, fala-se em "brogue", "semi-brogue", ou "full-brogue"
MOCASSIM
Mocassim de Constança Basto
Este é o nome dado pelos índios algonquinos, da fronteira dos Estados Unidos como Canadá, aos seus sapatos de couro costurados a mão com pontos largos ao redor do peito do pé e sobre os dedos. Em versões mais estruturados, são chamados em inglês de "loafer".
Na década de 60, a marca italiana Gucci lançou um modelo com fivela de metal e uma faixa verde e vermelha, que foram copiados no mundo inteiro.
Há uma versão que foi feita para dirigir automóveis chamada "driver" que virou um clássico. É caracterizado pela flexibilidade e solado com gomos que impede que o calçado escorregue em contado com os pedais do carro.
O dockside ou "boat shoes", é um tipo de mocassim que era usado por velejadores e ganhou as ruas nos anos 80. Tem amarração por cadarços e acabamento com fio na lateral que passa por ilhoses.
Seja qual for o tipo de mocassim, lembre-se de que ele é um calçado casual e esportivo que deve ser usado com bermuda e calça jeans. Evite o uso de meias.
LOAFER
Loafer da Side Walk
Inspirado em um modelo usado por noruegueses na década de 30, os americanos criaram os "weejuns" (pronuncia-se "uídjans"), uma corruptela de "Norwegian", um dos tipos de loafers mais comuns. Seu diferencial é uma faixa de couro com um losango vazado na parte que cobre o peito do pé. Se tornou muito popular entre os universitários americanos na década de 50 e por isso foi considerado um dos ícones do estilo college.
Na Europa e nos Estados Unidos é muito comum seu uso com bermudas, mas no Brasil é pouco comum esta combinação. É um sapato casual que vai bem com calça jeans ou de sarja com camisa pólo.
SIDE GORE
Side Gore da marca Democrata
Um modelo derivado do loafer, que vem fazendo muito sucesso nas últimas décadas. A principal característica deste modelo são as bandas largas de elástico nas laterais do calçado, ao lado do peito do pe, que dispensa o emprego de fivela, velcro, zíper ou cadarço.
Há várias versões deste modelo, desde os mais urbanos até as versões de cano médio para o estilo country (em que o elástico é coberto por uma espécie de fole de couro filetado). Dependendo do modelo, como os de couro preto ou marrom, sem adornos e de bico alongado, os "side gore" podem ser usados tanto com calça e blazer como com jeans.
SAPATÊNIS

Este é o mais polêmico dos calçados. Eles surgiram na onda do "casual friday", ou seja, a adoção por parte de algumas empresas da sexta-feira "casual", em que os funcionários podem dispensar terno e gravata. Ele é um tipo híbrido, que se caracteriza por não ser nem tão esportivo quanto um tênis e nem tão formal quanto um sapato. Alheios à crítica especializada de moda que os acha definitivamente cafonas, consumidores fazem deles um sucesso de vendas.Sapatênis Lacoste inspirado no modelo oxford
Este é o mais polêmico dos calçados. Eles surgiram na onda do "casual friday", ou seja, a adoção por parte de algumas empresas da sexta-feira "casual", em que os funcionários podem dispensar terno e gravata. Ele é um tipo híbrido, que se caracteriza por não ser nem tão esportivo quanto um tênis e nem tão formal quanto um sapato. Alheios à crítica especializada de moda que os acha definitivamente cafonas, consumidores fazem deles um sucesso de vendas.

Hoje muitas marcas estão procurando dar uma guinada no design do sapatênis, oferecendo novas versões mais "aceitáveis". Os modelos inspirados nos tradicionais oxford conseguiram os melhores resultados.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
A coluna HORA H consultou três experts para dar dicas sobre a escolha e conservação de calçados --Ari Svartsnaider, diretor de estilo da empresa carioca de acessórios Mr. Cat; Julius de Vita Dreyfuss, diretor da tradicional Sapataria Cometa, de São Paulo, e Marcio Boeira, gerente comercial da gaúcha Cospirato.

Todos são unânimes: Sapato tem de ser confortável desde a hora que se experimenta na loja. Nada de comprar sapato apertado esperando que ele vá "lacear", pois, no máximo, ele se adapta à largura do seu pé, nunca ao comprimento.

Para a conservação, esqueça as graxas tradicionais. Elas podem dar um brilho temporário ao couro, mas, a longo prazo, ressecam o material. Para o dia-a-dia, use, no máximo, uma flanela úmida para tirar o pó e, de tempos em tempos, um produto hidratante específico para sapatos. Veja abaixo o que dizem os especialistas.

Hora H: Ao comprar um sapato o que se deve observar?
Svartsnaider: O dedo nunca deve encostar na frente do sapato, pois isso vai ocasionar um desconforto enorme. O ideal é que exista uma distância mais ou menos da largura de um lápis do dedo até a frente do sapato. Sapatos de bico fino e forma mais alongada podem ficar com o bico um pouco levantado. Em outros tipos de sapato, quando o bico levanta, é sinal de que está muito grande. Na Europa, essa forma fina e alongada é considerada mais moderna. No Brasil, não tem boa aceitação.
Boeira: Deve-se observar conforto, qualidade, acabamento do produto e design.

Hora H: Qual a melhor maneira de "lacear" o sapato novo para que ele não machuque o pé?
Svartsnaider: Se você está louco para estrear seu sapato novo, a indicação é que se use ele em casa 1 hora por dia, três vezes em uma semana, isso já deve ser suficiente para sentir o quanto o sapato é confortável.
Boeira: Quanto maior o uso, mais macio o calçado ficará, mas atualmente isso não ocorre mais de forma tão significativa. Há uma busca constante de tecnologias para aperfeiçoar a maciez, o conforto e a qualidade do produto. É no momento da compra que o cliente deve procurar conforto e a maciez necessária para os seus pés.
Dreyfuss: Sapato só "laceia" na largura, nunca no comprimento. Desde que não se compre um sapato apertado, ele vai se moldando ao pé conforme o uso. Caso o sapato esteja muito apertado, existem formas especiais que "laceiam" o sapato, ou ainda amaciantes especiais para o couro que deixam o sapato mais confortável.

Hora H: Quais os cuidados na conservação dos sapatos?
Svartsnaider: Em primeiro lugar, o sapato nunca deve ser usado todos os dias. Aconselha-se usar um dia sim, dois não. O couro deve ser hidratado. Nunca passe graxa, que deteriora as características naturais. Passe um pano seco para tirar o excesso de sujeira da rua. Quando o sapato começar a apresentar desgaste nas áreas de atrito, o indicado é passar uma mousse, um tipo de "hidratante" a base de água, de 15 em 15 dias.
Dreyfuss: Além da limpeza e hidratação, para maior conservação é indicado usar uma forma especial de madeira que absorve a umidade interna do sapato e evita que o couro fique marcado, além de manter um aspecto de novo.
Boeira: Para a limpeza de sapatos de alto padrão deve ser usada apenas uma escova de cerdas flexíveis ou um pano levemente umedecido. Para secar, os sapatos devem ficar à sombra, em local arejado.

Hora H: Quais são as apostas para o verão?
Svartsnaider: Os modelos em destaque são os derby, loafer, e o oxford brogue. Na linha casual, o dockside esta de volta com força total.
Dreyfuss: Na linha de sapato social, houve um retorno dos sapatos estilo oxford e derby, mas com formas e proporções atualizadas, mais alongados e leves.
Boeira: No momento, os sapatos que estão mais em evidência são os drivers, esportivos em estilo mocassim, elaborados com muito conforto para o verão 2010.

*****

Hora H agradece a participação de todos que votaram na enquete da coluna passada e ajudaram a definir o próximo tema (21/08): Perfumes masculinos. Para escolher o assunto da coluna do dia 4 de setembro, vote aqui na enquete Hora H.
Fonte:Ricardo Oliveros é arquiteto e mestre em arquitetura pela Escola de Engenharia de São Carlos/USP. Na Hora H, desistiu da prancheta. Há 15 anos trabalha como jornalista e é consultor de moda.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Moda casual em múltiplas direções e evidências



Não há dúvida que a moda casual é capaz de indicar inúmeros direcionamentos acertados. É preciso entender que a identidade destes tipos de looks necessitam harmonizar elementos oriundos do clássico com o esportivo e o despojado. Esta é a legítima moda que toma conta das ruas. É, sem dúvida, mais real do que qualquer outra, pois é o reflexo do exercício diário das escolhas que todos precisam fazer dentro de possibilidades "limitadas" de cada guarda-roupa. Desta forma, os estilitas que têm o talento de antever a recriação dos momentos cruciais de decisão das pessoas são aqueles que, evidentemente, possuem uma conexão especial com os padrões de comportamento. Na imagem, está a visão de Erin Wasson que exibiu suas criações na última Semana de Moda de Nova Iorque: transparências, lingeries à mostra, listras e grafismos, efeitos rendados, metalizados, estampas de peles de animais, franjas em clima western, um certo ar metal rock e, por vezes, o minimalismo convivem pacificamente.
(Imagem - www.coutorture.com por Astrid Stawiarz - clique para ampliar

Os 40 anos de Woodstock

Nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, apenas um mês depois da famosa aterrissagem da Apollo 11 na Lua, o mundo testemunhou outro passo gigante - o festival Woodstock, assistido por 500 mil pessoas.

Introdução Woodstock

Nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, apenas um mês depois da famosa aterrissagem da Apollo 11 na Lua, o mundo testemunhou outro passo gigante. Dessa vez foi o festival Woodstock, no estado de Nova Iorque. Aproximadamente 500 mil pessoas convergiram para uma pequena cidade para escutar três dias de música. O fato de tantas pessoas virem de tão longe em nome da música nos diz algo sobre a experiência humana daquela época, embora o que é dito não esteja totalmente claro.

Mesmo que provavelmente não tenha participado dele, você deve ter ouvido falar sobre o evento conhecido como Woodstock. Você deve ter ouvido que houve sexo, drogas e rock'n roll, ou talvez que houve problemas com comida, limpeza, estacionamento, trânsito e até com água potável. Você possivelmente ouviu que a música estava fantástica: uma seqüência musical pouco provável de acontecer novamente em qualquer outra área. E tudo isso é verdade. Então, vamos dar uma olhada em exatamente como isso aconteceu.

A primeira coisa que precisamos reconhecer é que 1969 foi o auge da contracultura na América. A contracultura hippie incluía o uso de drogas, protestos antiguerra e anticapitalismo, o conceito de amor livre, o movimento de libertação das mulheres, vida em comunidade e muito mais.
Novo Woodstock

Michael Lang, co-fundador do lendário festival, quer realizar uma nova edição em 2009. Basta conseguir patrocínio para marcar o aniversário de 40 anos do projeto.
Leia mais em VEJA.com

Os Estados Unidos estavam divididos. De um lado estava um grupo de norte-americanos que apoiava o país: adesivos com dizeres "Ame-o ou deixe-o" nos pára-choques e apoio à guerra do Vietnã. Do outro lado estava o grupo de norte-americanos conhecidos como hippies: um termo que se tornou conhecido por volta de 1967.

A segunda coisa a ser reconhecida é que o rock já era um grande fenômeno. Woodstock foi um festival de músicos da contracultura, como Joan Baez, Grateful Dead, The Who, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Crosby, Stills e Nash. Reunir essas bandas e artistas num mesmo lugar transformou o Woodstock num ímã que atraiu pessoas de todo o país.

Curiosidade: Novo Woodstock

Michael Lang, co-fundador do lendário festival, quer realizar uma nova edição em 2009. Basta conseguir patrocínio para marcar o aniversário de 40 anos do projeto.
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Como funciona a gripe suína

Até 1º de agosto houve 2.959 casos de gripe suína com 96 mortes. Os sintomas da doença são os mesmos de uma gripe comum. Como se proteger contra a influenza A H1N1 e o que a torna tão perigosa?
ntrodução de Como funciona a gripe suína

No Brasil, entre 25 de abril e 1º de agosto de 2009, 17.277 casos de pessoas com sintomas de algum tipo de gripe foram registrados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. Do total, 2.959 (17,1%) foram confirmados como influenza A H1N1. Os números colocam o país como um dos que mais tiveram casos de gripe suína confirmados no mundo nesse período, segundo a Organização Mundial da Saúde. E, de acordo com boletim de 12/08 do Ministério da Saúde, o terceiro em número de vítimas fatais: 192, ficando atrás apenas dos EUA (436) e da Argentina (338) [fonte: Ministério sa Saúde]. Do total de mortos no Brasil, 28 eram mulheres grávidas. Gestantes e crianças com menos de 2 anos fazem parte do grupo de alto risco da gripe H1N1. São considerados grupo de risco:

* Gestantes
* Crianças com menos de 2 anos
* Idosos acima de 60 anos
*
* Pessoas com doenças que debilitam o sistema imunológico, como câncer e Aids, ou que tomam medicamentos que debilitam o sistema imunológico
* Pessoas com doenças crônicas preexistentes, como problemas cardíacos, pulmonares, renais e sanguíneos
* Diabéticos, hipertensos e obesos mórbidos

Estudante usa máscara para cobrir boca e nariz e proteger-se contra a gripe suína
© Sean Locke / iStockphoto
Estudante usa máscara para cobrir boca e nariz e proteger-se contra a gripe suína

O que torna essa gripe tão letal?

A doença surgiu no México em abril de 2009, e se alastrou rapidamente para Estados Unidos, Argentina e Canadá. De lá, o vírus causador da gripe voou para a Europa, Ásia e Oceania, aumentando o número de vítimas fatais e se transformando em uma pandemia. Todos os países do mundo iniciaram medidas relativamente rigorosas para evitar que a doença se alastrasse ainda mais. No momento, há muitas perguntas, poucas respostas e dúvidas sobre a magnitude dessa gripe. Será ela mais letal do que a famosa gripe espanhola de 1918? Ou igual à gripe asiática de 1957? Por que suína? Por que houve a gripe aviária? Afinal, por que os seres humanos têm tanto temor de um vírus?

A explicação para a gripe e outras infecções remonta a um passado longínquo para o homem atual. A espécie humana surgiu na África há provavelmente 150 mil a 200 mil anos. Nossos ancestrais viviam da caça, da pesca, da coleta e de carcaças. A vida era difícil porque faltava comida, a dependência das estações era total e ainda havia muitos predadores do homem. Nesse momento da história humana o maior risco era morrer de fome, de sangramento em acidente ou por infecção após ferimentos. Além, claro, por ataques de animais ferozes.

Quando o homem se espalhou pela superfície terrestre, ele passou a conviver cada vez mais com bactérias, fungos, protozoários e helmintos em seu organismo. Alguns desses agentes propiciavam doenças, mas a grande maioria se tornou parte do organismo, como a flora bacteriana intestinal, que tem grande importância na saúde humana.

Óbitos no mundo e no Brasil por gripe suína

Somente depois que o homem começou a revolução agrícola, no período neolítico, é que provavelmente novas doenças começaram a surgir e se mantiveram sempre presentes nos seres humanos. O gado trouxe a varíola e a tuberculose; os porcos e aves, a gripe, e o cavalo, o resfriado comum. Para se disseminar, esses vírus e bactérias precisam de aglomerações maiores do que aquelas do homem que caçava, pescava e coletava alimentos. Por isso, ao mesmo tempo em que no neolítico a fome deixou de ser um grande problema, várias doenças se instalaram, como a gripe.

Populações com grande contato entre si, como aquelas do supercontinente eurasiano foram, geração a geração, tendo contato com várias cepas dos vírus e foram adquirindo imunidade. No entanto, povos com bom desenvolvimento econômico, mas isolados, como aqueles que compunham a civilização inca, foram dizimados pela varíola e pela gripe, ambas trazidas pelos espanhóis no século 16. A história da humanidade é acompanhada por doenças. A peste negra alterou o mapa da Europa e da Ásia no século 19. O exército napoleônico sucumbiu à febre tifóide no século 19.

Por esse motivo, a possibilidade de epidemias periódicas de uma doença, como é o caso da gripe, é sempre grande. A questão é o quão hábeis nós somos em identificar um novo vírus, impedir seu espalhamento, produzir a vacina específica e tratar precocemente aquele que ficar doente.

O processo atual não é culpa de governos, de povos migrantes ou mesmo dos porcos. Aliás, os suínos tiveram importância mínima na cadeia causal dessa epidemia, agora denominada Gripe H1N1.

Na próximas páginas, você vai saber o que é o vírus H1N1, o que o diferencia dos demais vírus de gripe, por que ele é tão perigoso para os seres humanos e como a gripe provocada por ele pode ser identificada. Nossos hospitais estão preparados para lidar com esse tipo de gripe? Continue lendo para saber.